Mais um ano chegando ao fim e
todo esse clima de confraternizações, retrospectivas, reavaliações e
reaproximações, tornam inevitáveis a sensação e vontade de sermos expectadores
do nosso próprio caminhar.
Estipulamos inconscientemente que
um ano é um prazo. Prazo remete a resultados e, ao fechar o ciclo, chegamos ao
ponto de rever o planejamento e o exercício da nossa vida.
O trabalho, a família, o estudo, os
prazeres, as dores, as alegrias... Entramos numa dança contábil frenética e
generalizada... Olhamos pra nossa vida, no ano que finaliza, e paramos para
observar apenas o saldo final... Mas será que é isso mesmo que importa? O que
vale é contar de forma tão superficial e resumida constatando se o ano foi bom
ou ruim?
Penso que cada dia da gente é tão
cheio de movimento, de pessoas, de sentimentos e ações que parece leviano
sintetizar tudo no final do ano como se tivéssemos que fazer, quase que
obrigatoriamente, um resumo prático. Não concordo que tenha que ser assim.
Sempre tive uma sensação
esquisita ao ter que, em uma semana ou duas, dar um diagnóstico de uma vida
vivida em 12 meses... Nossa! É assustador! Quando me perguntam: E aí, como foi
seu ano? Eu sinto-me perdida na resposta... Fico incomodada com a expectativa
lançada sobre o que esperam que eu responda, como se eu fosse mais triste ou
mais feliz dependendo de como articulo essa frase de efeito... Meu ano foi bom
e ruim, foi alegre e triste, foi barulhento e silencioso... Depende, vivi
tantas coisas, revivi outras. A vida acontece em um ritmo próprio, é rica em
detalhes, não dá pra compactar com tanta praticidade... Acredito que com todo
mundo é assim também.
Penso que o importante é observar
o que o coração sinaliza, a paz interior, a sensação de dever cumprido nas
diversas áreas, ainda que não estejam concluídas, mas que, dentro do “prazo”,
foi feito o possível. Bom mesmo é saber que estou no caminho certo, tanto
profissionalmente como emocionalmente e socialmente. O legal é refletir e
avaliar em tempo real, assim dá pra rever, modificar e realinhar se necessário
for. Pra que esperar o ano acabar?
Então gente, desejo que a partir
deste novo ciclo, as confraternizações aconteçam sempre, as reflexões sejam
diárias, as retrospectivas tenham intervalos menores e a vontade de mudar seja
constante.

